Metade mais pobre da população recebeu R$ 453 mensais em 2020.

2.491

A pandemia de covid-19 aumentou o desemprego e diminuiu a renda média dos brasileiros. O cenário só não foi pior graças ao auxílio emergencial, que aumentou o rendimento médio dos brasileiros mais vulneráveis. As crises sanitária e econômica elevaram exponencialmente a quantidade de famílias dependentes de programas sociais.

O número de pessoas com outros rendimentos (seguro-desemprego/seguro-defeso, programas sociais do governo – inclusive o Auxílio Emergencial –, rendimentos de poupança etc) quase dobrou de 2019 para 2020, o primeiro ano da pandemia, indo de 16,4 milhões (7,8% da população) para 30,2 milhões (14,3%).

Pela primeira vez na série pesquisada, esse grupo superou o das pessoas que recebiam aposentadoria e pensão (26,2 milhões ou 12,4%), se tornando a principal categoria na composição dos rendimentos de outras fontes. Em seguida, vinham aluguel e arrendamento (1,3%) e pensão alimentícia, doação ou mesada de não morador (1,7%).

No Norte (17,5%), Nordeste (19,7%) e Centro-Oeste (12,1%), o percentual dos que recebiam outros rendimentos superou o dos que recebiam de outras fontes que não o trabalho.

Ainda assim, a metade mais pobre da população brasileira sobrevivia com apenas R$ 453 mensais em 2020. São cerca de 105,5 milhões subsistindo com apenas R$ 15,10 por dia por pessoa.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2020 – Rendimento de todas as fontes, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (19).

Rendimento médio de todas as fontes diminuiu 3,4%

O rendimento médio real de todas as fontes caiu 3,4%, passando de R$ 2.292 em 2019 para R$ 2.213 em 2020. O maior valor estava no Sudeste (R$ 2.575) e o menor, no Nordeste (R$1.554), a única região onde não houve queda.

O rendimento de outras fontes caiu 15,4%, baixando ao menor valor (R$ 1.295) desde 2012. Entre as categorias que compõem o rendimento proveniente de outras fontes, o item aposentadoria ou pensão, mesmo com retração recorde de 5,1%, manteve-se como o de maior média em 2020 (R$ 1.919).

Já o valor dos outros rendimentos (R$ 678) cresceu 12,3% em relação a 2019, a maior expansão anual; porém, frente a 2012, essa estimativa ficou praticamente estável.

Por outro lado, o rendimento médio mensal real habitualmente recebido de todos os trabalhos aumentou 3,4% de 2019 para 2020, chegando a R$ 2.447. A saída de 8,1 milhões de pessoas da população ocupada, no período, elevou essa média.

Já o rendimento médio mensal real domiciliar per capita caiu 4,3% em 2020, chegando a R$ 1.349. O rendimento per capita nos domicílios que recebiam outros programas sociais aumentou 12,2% entre 2019 e 2020, passando de R$ 688 para R$ 772.

Em 2020, as pessoas do 1% melhor remunerado (rendimento médio domicilia per capita de R$15.816) recebiam 34,9 vezes o rendimento dos 50% com os menores rendimentos (rendimento médio de R$ 453). Em 2019, esta razão chegou a 40 vezes, maior valor da série..

JORNAL O TEMPO