PC faz operação contra agência de BH que deu golpe em mais de 100 pessoas.

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A Polícia Civil (PC) cumpriu um mandado de busca e apreensão e outro de prisão,  em uma operação que mirava a agência de turismo Next Stop, de Belo Horizonte, que teria aplicado golpes em mais de 100 pessoas e causado um prejuízo de cerca de R$ 600 mil.

As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa pelo delegado Marlon Pacheco, do Departamento de Fraudes e Combate à Corrupção da PC.

“As investigações iniciadas ainda na semana passada, davam conta de uma empresa de turismo criada com o objetivo exclusivo de aplicar golpes por uma investigada de 28 anos, que se encontra presa à disposição do poder judiciário”, detalha o policial responsável pela investigação.

Ainda conforme o delegado, até agora já foram identificadas mais de 100 vítimas, mas outras pessoas lesadas pela empresa devem procurar o departamento para registrar a ocorrência. “As investigações continuam, com o objetivo de apurar responsabilidades e identificar eventual participação de outras pessoas”, completa.

Pacheco aproveita ainda para orientar a população para evitar ser vítima de golpes. “Deve-se ter cuidado com as compras realizadas nas redes sociais, com a desproporção do preço. E busquem sempre a utilizaçao de ambientes seguros, de empresas constituídas em tempo hábil ou que já tenham experiência de mercado”, diz o delegado.

Suspeita está hospitalizada

A reportagem de O TEMPO conversou nesta segunda com o advogado Carlos Eduardo Teixeira de Godoi, que representa uma grande parte das vítimas da agência de turismo. Ele contou que, apesar de ser alvo de um mandado de prisão, a suspeita de 28 anos estaria internada, após ser encontrada desacordada por seu pai em um hotel de BH.

“Pelo que eu soube ela já recobrou a consciência e os policiais estiveram na unidade de saúde. Mas não sei dizer se ela já foi presa ou se precisam aguardar que ela receba alta médica”, detalhou o defensor das vítimas.

Ainda segundo ele, o mandado de busca e apreensão foi cumprido na casa do namorado da suspeita, onde ela vivia com ele, e foram apreendidas máquinas de cartão de crédito, computadores e outros itens que podem ajudar na investigação policial.

“O namorado dela que recebeu os policiais no imóvel e estaria colaborando com a polícia. Mas ficamos sabendo, pela irmã de parte de pai da suspeita, que esse rapaz vendeu uma viagem para a mãe dela e madastra de sua irmã, o que nos leva a crer que ele tinha algum envolvimento”, completa Godoi.

Ele lembra ainda que o namorado da mulher presa nesta segunda era sócio de uma CNPJ que levava o mesmo nome da agência de turismo. Porém, logo após os primeiros registros de ocorrências contra a Next Stop, ele teria alterado o nome fantasia na Receita Federal.

“Isso demonstra que ele queria ocultar a ligação, para que, nos novos processos, as vítimas não consigam comprovar o vínculo dele com o golpe. Mas ele não fez essa alteração do Cadtur, do Ministério do Turismo, onde ele ainda aparece como sócio da Next Stop”, argumenta o advogado.

RELEMBRE O CRIME

Conforme adiantado por O TEMPO no dia 5 de janeiro de 2022, pelo menos 16 pessoas haviam sido vitimadas e o prejuízo já chegava a R$ 42 mil. Entretanto, após a divulgação do caso, menos de 24h depois o número de pessoas lesadas já chegava a 54 e o valor dos golpes já atingiam os R$ 400 mil.

Na época da primeira denúncia, a reportagem conversou com uma das vítimas, que preferiu não ser identificada, e que contou que chegou até a Next Stop por indicação de conhecidos. “Compramos 10 passagens, para toda a família, para uma viagem internacional. Faltando uma semana soubemos de duas famílias que tiveram problemas com a agência, passagens canceladas na véspera e até pessoas que ficaram presas em outro país sem o bilhete do retorno”, detalha a vítima.

Três dias antes do tão aguardado passeio em família, a dona da agência confirmou que as passagens seriam emitidas e pediu que todos fizessem o exame de PCR, exigido para o voo. A família fez os testes, mas, até o dia da viagem, a suspeita sumiu, não respondendo mensagens ou dando desculpas. “Até hoje não vimos o nosso dinheiro de volta, foram R$ 17 mil de prejuízo”, lamenta a mulher.

Um grupo de três amigos também foi lesado pela agência, após adquirir passagens para assistir à final da Copa do Brasil em Curitiba. Eles receberam a indicação de um colega de um grupo de torcedores do Atlético. “Foram R$ 2.200 reais para nós três, fiz o PIX e, no dia seguinte, comecei a achar estranho. Questionei algumas coisas e pedi o cancelamento. Ela disse que estava tudo bem, mas que a devolução do dinheiro seria demorada por causa do sistema das passagens”, detalha.

A partir daí, começaram as desculpas. “Ela sempre fala como se fosse uma empresa grande, que deu problema no jurídico, que tinha perdido a senha do banco, que o WhatsApp estava instável. Hoje ela já nem responde mais. Ainda não fiz BO, mas estou aguardando para entrar com uma ação nas pequenas causas”, afirma o jovem.

Procurada, a dona da empresa indicou apenas um contato de uma pessoa que seria seu advogado, porém, o suposto defensor informou que teria rompido o contrato com a agência de turismo por “falta de transparência” da empresa.

Já o suposto namorado da suspeita, que tinha um CNPJ com nome da Next Stop e que foi renomeado, negou qualquer envolvimento com a agência de turismo ou com a mulher que fazia os contatos com as vítimas.

“A situação dessa empresa é lamentável, mais uma empresa que fecha as portas assim como a Itapemerim e outras grandes empresas que faliram, essa é apenas mais uma. Onde essa pessoa está, o que está fazendo, eu realmente não sei te informar”, disse.

JORNAL O TEMPO