Trio é preso por matar idoso a pauladas e jogar corpo em rodovia de BH.

211

Três homens de 24, 26 e 37 anos foram presos na última quinta-feira (25) durante a deflagração da operação Enera, da Polícia Civil. Outras cinco pessoas ainda estão sendo procuradas. A ação teve o objetivo de prender indivíduos supostamente envolvidos na morte por engano de um idoso de 63 anos, ocorrida no dia 17 de setembro deste ano, na Vila Andiroba, na região Nordeste de Belo Horizonte.

Na ocasião, o idoso foi brutalmente assassinado a pauladas e o corpo encontrado no dia seguinte, as margens de uma rodovia, no bairro São Paulo, após ele ser acusado de praticar pedofilia na comunidade, crime que a polícia descobriu que não ocorreu.

A investigação apontou que a morte se tratou de uma execução orquestrada pelo tráfico de drogas local. A delegada Mônica Perpétuo, da Polícia Civil, explica que o idoso, conhecido como “Vô” na região, foi apontado por uma mulher chamada de Enera como pedófilo, o que revoltou os traficantes.

“O chefe do tráfico teve a notícia de que ele praticava atos de pedofilia. Quando a Enera liga para eles para falar que tinha um pedófilo ali, os traficantes pedem autorização (para o chefe do tráfico) para ceifar a vida dele. Esse tipo de crime a comunidade não aceita. Então ele foi morto de maneira cruel, com pedradas e pauladas”, explicou.

A investigação apontou que após a morte do idoso, os traficantes descobriram que a mulher conhecida como Enera havia mentido e a vítima nunca teria praticado atos de pedofilia. Mais uma vez eles ficaram revoltados e expulsaram a mulher que tem
relacionamento com um chefes do tráfico – mas hoje está preso- da comunidade.

“A população já estava revoltada porque conhecia a índole dele na região. Depois os próprios indivíduos descobriram o que havia acontecido. O idoso estava simplesmente urinando em via pública. Essa mulher passou com o filho dela e não gostou da situação. Como ela tem o poder e domínio, ela ligou (para os traficantes) e mentiu. Ela o casou de pedofilia e confiavam nela”, pontuou a delegada.

Na residência onde os três suspeitos foram presos a polícia apreendeu uma arma que pode ter ligação com outros crimes praticados pelo integrantes do tráfico, já que nenhuma arma de fogo foi utilizada na morte do idoso. A Polícia Civil está a procura de Enera e outros quatro suspeitos de envolvimento no crime. Todos são considerados foragidos.

Segundo a Polícia Civil, todos os três presos tem passagem pela polícia por tráfico, roubo e homicídio. Eles devem responder pelo crime de homicídio qualificado.

Justiça com as próprias mãos

A delegada Mônica Perpétuo ressalta que um engano causou a morte de uma pessoa inocente e, por isso, o ato de fazer a “Justiça com as próprias mãos” não é recomendado.

“A polícia, o Estado e as leis não podem legitimar esse ato. O que é legitimar um ato? É aquilo que a população que fazer com as próprias mãos, mas pode acontecer o que aconteceu. Errarem e matar um inocente. Para a gente prender alguém há toda uma investigação por trás e apuração, justamente para não haver injustiça”, disse a delegada.

JORNAL O TEMPO