DATATEMPO: 70,8% dos eleitores não definiram voto para deputado federal em Minas.

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mais recente pesquisa do instituto DATATEMPO aponta que 70,8% dos eleitores mineiros ainda não definiram em quem votarão para deputado federal na próxima eleição. O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 20 de julho, ou seja, praticamente um mês antes do início da campanha eleitoral, que começa oficialmente em 16 de agosto.

O percentual de pessoas que não souberam ou não responderam em quem votariam para a Câmara dos Deputados na pesquisa espontânea está no mesmo patamar do registrado quando a mesma pergunta é feita aos entrevistados em relação à eleição ao Senado (79,8%). Por outro lado, a indefinição é menor na eleição para governador (53,1%) e para presidente (22,3%).

“No geral, eleições para o Legislativo mobilizam menos os eleitores do que as eleições para o Executivo porque há pouca compreensão do papel dos cargos legislativos dentro do contexto político”, explica a analista DATATEMPO Bruna Assis. “Com pouco entendimento do ‘para que serve um deputado’, por exemplo, fica difícil para o eleitor se posicionar e indicar um nome que traduza seus interesses”.

A pesquisa espontânea é feita sem apresentar os nomes dos pré-candidatos e candidatos aos entrevistados. Por isso, essa modalidade mede o chamado voto consolidado, quando o eleitor dificilmente mudará de opinião.

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Fábio Ramalho (MDB) e Paulo Guedes (PT)

O pré-candidato mais lembrado pelos entrevistados foi o deputado federal Fábio Ramalho (MDB), com 1% das citações, seguido do também deputado federal Paulo Guedes (PT), com 0,5%.

Em seguida, são mencionados seis nomes, todos eles com 0,4%: Cleitinho Azevedo (PSC), Misael Varella (PSD), Rogério Correia (PT), Marcelo Freitas (União Brasil), Rafael Simões (União Brasil) e Wellington Prado (Pros).

Aécio Neves (PSDB), Diego Andrade (PSD), Emidinho Madeira (PL), Zé Vitor (PL), Newton Cardoso Jr (MDB) e Reginaldo Lopes (PT) têm 0,3% das citações.

Todos os citados nesta matéria são pré-candidatos ou já foram confirmados como candidatos à Câmara dos Deputados por seus partidos. A exceção é o deputado estadual Cleitinho Azevedo, que pretende disputar o cargo de senador.

Outros nomes foram mencionados, mas registraram 0,2% ou menos. Somados, eles chegam a 10,4%. Já 13,1% dos entrevistados responderam que vão votar nulo, em branco, ou em ninguém. “Com a exceção do primeiro colocado, todos os candidatos são citados por parcelas muito parecidas em termos de quantidade de votos espontâneos”, afirma Bruna Assis.

Tecnicamente, todos os pré-candidatos e candidatos a deputado federal mencionados estão empatados dentro da margem de erro de 2,19 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Entenda o cálculo para eleição de deputado federal

A eleição para deputado federal é diferente dos pleitos para presidente, governador e senador. Nestes últimos, vence quem obtiver mais votos. Por isso, este tipo de eleição é chamado de majoritária. Já a eleição para deputado é proporcional e leva em conta não apenas os votos de um candidato, mas de todos os nomes que compõem a chapa do partido. Isso significa que nem sempre os candidatos mais votados são eleitos.

Minas Gerais tem direito a 53 cadeiras na Câmara dos Deputados. O primeiro passo para definir os deputados eleitos é dividir o total de votos válidos pelo número de cadeiras. O resultado é o quociente eleitoral, que é o número de votos necessários por partido para se eleger um parlamentar.

Em seguida, são somados os votos de todos os candidatos de um determinado partido. Como exemplo, suponha-se que, juntos, todos os candidatos do partido A tiveram 1 milhão de votos. Se o quociente eleitoral for 200 mil votos, o partido A terá direito a cinco cadeiras na Câmara dos Deputados, que serão preenchidas pelos cinco candidatos mais votados da sigla.

Mesmo que um candidato de outra legenda tenha tido mais votos que um dos cinco nomes eleitos pelo partido A, ele pode não se eleger se sua sigla não alcançar o quociente eleitoral.

A pesquisa DATATEMPO foi realizada pelo instituto com recursos próprios. Os dados foram coletados entre 15 de julho a 20 de julho de 2022. Foram realizadas 2.000 entrevistas domiciliares. A margem de erro é de 2,19 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada sob os protocolos TSE nº BR-08880/2022 e TRE nº MG-08733/2022.

JORNAL O TEMPO