Dez pessoas da mesma família estavam em prédio que desabou em BH; homem e bebê morreram.

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Dez pessoas de uma mesma família estavam em um dos prédios que desabaram no bairro Jaqueline, na Região Norte de Belo Horizonte, na madrugada desta terça-feira (7).

Uma bebê de 1 ano e 8 meses e André Luiz Alves Claudino, de 35 anos, padrasto da mãe da criança, morreram.

Dois edifícios, localizados no número 103 da Rua Gonçalo de Souza Barros, colapsaram: um, de quatro andares, que estava em obras, desmoronou totalmente – quem estava construindo o prédio era o irmão da mulher de André, avó da criança. No outro prédio, de três andares, o segundo e o terceiro, que era um terraço, caíram.

Todas as pessoas estavam no prédio de três andares. O bebê e André estavam no segundo pavimento, assim como a mãe da criança, de 23 anos. Ela foi socorrida com vida pelos bombeiros e levada para o Hospital Risoleta Neves, na Região Norte da capital.

Outras duas pessoas ficaram feridas e foram resgatadas por vizinhos, antes da chegada dos militares: a filha de André, de 13 anos, e a prima da mãe do bebê, de 19 anos. Elas foram encaminhadas para o hospital, mas já receberam alta.

As outras cinco pessoas estavam no primeiro pavimento do prédio, que ficou preservado. Elas não se feriram.

Causas do acidente

 

A causa do acidente ainda não foi confirmada, mas a hipótese inicial é de problema estrutural, conforme o tenente.

“A causa exata desse acidente a gente ainda não consegue precisar. Não conseguimos afirmar se tem relação direta com a chuva, apesar da grande precipitação que tivemos durante todo o dia de ontem, porém a gente trabalha com problema estrutural no primeiro momento. Para ser mais específico, o trabalho de perícia técnica vai ser iniciado hoje mesmo para ter essa informação de forma mais fidedigna”, afirmou o militar.

Segundo os bombeiros, não chovia no momento do desabamento.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou, no início da tarde, que o imóvel que desabou “é irregular, ou seja, sem projeto aprovado ou baixa de construção”.

Militares trabalham no local durante esta madrugada — Foto: Júlio César Santos/TV Globo
Militares trabalham no local durante esta madrugada

As causas e circunstâncias do desabamento agora serão apuradas pela Polícia Civil, que informou que, assim que acionada, “deslocou uma equipe da perícia criminal ao local dos fatos para realizar os primeiros levantamentos”.

Os corpos das duas vítimas já foram encaminhados ao Instituto Médico Legal André Roquette, onde estão sendo submetidos a exames de necropsia e identificação.

Bombeiros foram acionados às 0h28 da manhã de hoje — Foto: Júlio César Santos/TV Globo
Bombeiros foram acionados às 0h28 da manhã de hoje

Resultados da vistoria

 

Imagem dos desabamentos feita pelo Globocop — Foto: Reprodução/TV Globo
Imagem dos desabamentos feita pelo Globocop

De acordo com a Defesa Civil de Belo Horizonte, o imóvel que registrou os desabamentos é particular e sem registros de ocorrências, vistorias ou riscos estruturais no sistema.

Segundo o subsecretário de Proteção e Defesa Civil, Waldir Figueiredo Vieira, “não há nenhuma indicação de possibilidade de envolvimento da chuva como causa desse desastre”.

“Não há indicação de risco geológico, de movimentação anormal do terreno. Em princípio, a Polícia Civil deve avaliar as causas do colapso da construção”, afirmou.

A Defesa Civil não tem informações sobre o responsável pelas obras do prédio que estava em construção e desabou. A suspeita é de que elas não tinham acompanhamento técnico.

“Não há indicação de placa de responsabilidade técnica. Presume-se que a obra não teve acompanhamento técnico”, disse Vieira.

De acordo com ele, a Defesa Civil agora vai avaliar os riscos para os imóveis vizinhos e as providências que cada proprietário deverá adotar.

Veja os resultados da vistoria realizada pelo órgão:

Rua Gonçalo de Souza Barros, 103 – Jaqueline (local do sinistro)

  • Imóvel com 4 andares desabou totalmente;

  • Imóvel com 3 andares: 2 e 3 colapsados; térreo interditado com risco alto de desabamento;

  • Imóvel térreo aos fundos está com acesso principal bloqueado.

Rua Gonçalo de Souza Barros, 109 (vizinho)

  • Possui três moradias do mesmo núcleo familiar.

  • Casa A: notificada para isolamento preventivo dos dormitórios.

  • Casa B: dentro na margem de segurança estabelecida pelos bombeiros.

  • Casa C: barracão de alvenaria desocupado. Foi atingido por escombro. Notificação para manter isolado.

Os responsáveis foram notificados a adotar medidas de mitigação, limpeza, reconstrução e não expor sua vida ou de terceiros a riscos.

Rua Gonçalo de Souza Barros, 85 (vizinho)

  • Desabamento parcial do muro de divisa, área externa próximo aos muro e isolamento preventivo da loja.

 

Os responsáveis notificados a adotar medidas de mitigação, limpeza, reconstrução e não expor sua vida ou de terceiros a riscos.

G1 MG