Pacheco: discussão sobre privatizar Petrobras “não deveria vir agora”

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Ao comentar a alta dos preços dos combustíveis, presidente do Senado também defendeu que a estatal participe mais da solução do problema;

Rodrigo Pacheco

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), se disse contra discutir a privatização da Petrobras no momento. Em um evento que participou em Vitória (ES), o senador mineiro ressaltou que o Brasil tem “um número excessivo de empresas públicas e muitas que não deveriam ser públicas”. Mas ao falar sobre a crise dos preços dos combustíveis, pediu “prudência” na discussão sobre a estatal.

“Essa discussão de privatização da Petrobras não deveria vir agora. Nós não temos que tratar disso. O problema dos preços de combustível envolve sobretudo estabilidade. O Brasil precisa de estabilidade, inclusive estabilidade política. Todo mundo que está propondo soluções das mais diversas podia contribuir com a estabilidade.”

A fala de Pacheco se dá um dia após o presidente Jair Bolsonaro ter dito que “tem vontade de privatizar a Petrobras” e que iria ver com a equipe econômica o que pode fazer.

O presidente do Senado também defendeu uma redução na desvalorização do real em relação ao dólar. “Com a estabilidade, temos um câmbio que seja palatável e tolerável, não vamos ter a desvalorização do real dos últimos meses e vamos ter uma forma de contenção do preço dos combustíveis no Brasil.”

ICMS

Pacheco acrescentou que a Petrobras também precisa ser mais ativa na busca pela redução dos preços dos combustíveis pelo país. Atualmente, o governo aposta no projeto que muda regras sobre a cobrança do ICMS sobre o produto, ideia que gera críticas entre governadores. Aprovada na última quarta-feira pela Câmara, a matéria tramitará no Senado.

No mesmo evento, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), disse que a proposta causa um prejuízo de R$ 729 bilhões aos cofres dos estados. A expectativa é que haja encontros entre governadores e senadores para debater o tema.

Reforma tributaria

O presidente do Senado ainda defendeu a votação da PEC 110, que tramita na Casa e unifica tributos federais, estaduais e municipais. Porém, para Rodrigo Pacheco, o cenário atual “não é o ideal” para se discutir uma ampla reforma tributária.

“Me perguntaram se era hora. Reconheço que de fato nao é o cenario ideal. O ideal é sempre no inicio de uma legislatura, com Câmara e Senado revigorados, governo novo com planejamento para o Brasil. É disparadamente a reforma que gera mais controversias, porque ela não une.”

JORNAL O TEMPO