Serraria Souza Pinto começa a funcionar como suporte para moradores de rua

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Evitar aglomerações e intensificar a higienização. A receita básica para combater o coronavírus não é tão simples para quem vive nas rua. Só em Belo Horizonte, são cerca de 4.600 pessoas nessa situação, de acordo com  a Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania (Smasac). A partir deste sábado, essa população vai ganhar um ponto de apoio na Serraria Souza Pinto, no centro da capital.

Organizado pela Pastoral do Povo de Rua, o projeto Canto da Rua vai funcionar todos os dias, das 8h às 14h. A expectativa é receber cerca de 600 pessoas por dia. “O espaço oferece alimentação e infraestrutura para banho. Assim que chegar, o morador de rua vai receber higienização e orientação de uma equipe multidisciplinar que envolve assistentes sociais, psicólogos e profissionais da área médica”, explica a coordenadora da Pastoral, Solange de Fátima Damião, 58.

Se for detectado algum sintoma da Covid-19, a pessoa será isolada e encaminhada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). “O projeto, que é patrocinado pelo Unibanco, foi idealizado para funcionar por três meses”, explica Solange.

Entre profissionais e voluntários, são mais de 200 pessoas envolvidas. No local, também haverá um espaço reservado para os animais dos moradores de rua.

O músico Édson Franco, 52, faz parte dessa rede de solidariedade que mantém o Canto da Rua. “É um espaço muito importante, pois os moradores de rua, que já são invisíveis aos olhos da sociedade, ficam ainda mais invisíveis durante a pandemia. Que a iniciativa sirva de exemplo para que outros locais possam socorrer essa população”, conta Franco, que chegou a morar por 4 anos nas ruas de Belo Horizonte e, agora, repassa a ajuda que recebeu da pastoral.

Comboio do Bem distribui 2.400 marmitex 

A praça da Estação foi transformada em um grande restaurante a céu aberto na última sexta-feira. O projeto Comboio do Bem montou uma estrutura  para oferecer almoço para moradores de rua, com direito à sobremesa, água e refrigerante. Foram distribuídos cerca de 2.400 marmitex.

Idealizado pelos proprietários da empresa de investimentos Medina Bank, o projeto social é uma iniciativa totalmente privada. “O Comboio do Bem já existe há um ano, com distribuição de almoços todas as sextas-feiras. Ele acontecia debaixo do viaduto  Santa Tereza, mas, com a pandemia e a necessidade de evitar aglomerações, decidimos levá-lo para a praça da Estação”, explica o representante do projeto, Rochester Duarte.

Embora seja voltado para moradores de rua, a iniciativa é bem ampla. Além das refeições, foram distribuídas 1.400 cestas básicas. “O foco são moradores de rua em situação de grande miséria, mas atendemos pessoas carentes, sem distinção”, destaca Duarte.

O Comboio do Bem acontece toda sexta-feira. Só na última edição, o investimento foi de R$ 100 mil. Quem quiser ajudar, pode buscar informações no Instagram do projeto.

Fonte: O Tempo