A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas colocou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro de uma nova controvérsia internacional. O anúncio ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro afirmar que havia solicitado pessoalmente ao presidente Donald Trump a adoção da medida.
A iniciativa americana faz parte de uma estratégia mais ampla de combate ao crime organizado transnacional. Em março de 2026, Trump lançou a Americas Counter Cartel Coalition, uma aliança envolvendo líderes militares de 17 países com o objetivo de desmantelar cartéis e organizações criminosas que atuam no Hemisfério Ocidental. O Brasil, porém, ficou de fora da coalizão.

Em resposta, o Palácio do Planalto divulgou uma nota em defesa da soberania nacional e criticou duramente integrantes da família Bolsonaro, classificados como “traidores” por supostamente defenderem uma intervenção estrangeira no país. A reação foi vista por críticos como uma tentativa de transformar uma questão de segurança pública em disputa política.
Embora o governo brasileiro reconheça que PCC e Comando Vermelho promovem práticas terroristas nos territórios sob sua influência, argumenta que as facções possuem motivação econômica ligada ao tráfico de drogas e armas, e não objetivos ideológicos, políticos ou religiosos. Para opositores, a distinção é excessivamente burocrática diante do nível de violência, intimidação e controle territorial exercido por essas organizações.
O Planalto também destacou a aprovação da Lei Antifacção e o programa Brasil Contra o Crime Organizado, além de afirmar que apresentou aos Estados Unidos uma proposta de cooperação voltada ao combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. Ainda assim, a resposta do governo foi criticada por não demonstrar apoio explícito à classificação das facções como grupos terroristas


