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Eleições: há espaço à esquerda de Lula?

Eleições: há espaço à esquerda de Lula?

Falta uma candidatura que proponha novo projeto de país e recomponha um horizonte de transformações. Eleitoralmente, ela atrairia uma parcela dos que rejeitam o lulismo – e evitaria que, no segundo turno, o presidente esteja só, contra uma frente de seus adversários de direita.

Com a devida distância da realidade e a dez meses das eleições, as pesquisas vão apresentando um provável quadro de reeleição presidencial no Brasil. A imagem da presidência foi se recuperando na segunda metade do ano passado após alguns movimentos erráticos do neofascismo nacional e internacional. Pedidos de sanções, tarifas, tentativa do congresso blindar os crimes dos ricos e ataques à soberania foram fortalecendo o governo mesmo num quadro de precariedade econômica para a esmagadora maioria das famílias brasileiras que a isenção de rendimentos até cinco mil reais pretende mitigar. Sucessivos nomes são colocados em disputa com Lula e todos apresentam tendências de voto inferiores, tendo o presidente mais ou menos vantagem em todos os cenários.

Neste último ano de mandato em que são logicamente esperadas as melhores medidas da governação e com o bolsonarismo atravessando uma crise de sucessão, será de esperar uma reeleição menos apertada que a eleição? Lula não tem adversário à altura?

Direita e extrema direita vêm ensaiando diversas candidaturas presidenciais permitindo vários governadores se perfilarem perante o grande capital como potenciais representantes de seus interesses. De fenômenos populistas a oportunistas eleitos na esteira de Bolsonaro passando por agrofascistas, vários nomes são apresentados e consultados à sociedade e a resposta popular parece não deixar margem para candidatos de direita sem a chancela do bolsonarismo. A potencial candidatura de Tarcísio de Freitas é o caso mais visível e vem oscilando entre a emancipação do carioca em relação à família Bolsonaro e a sua aceitação como autêntico representante do ideário neofascista. Com a pré candidatura de Flávio Bolsonaro o instinto de sobrevivência parece se impôr e Tarcísio acalma sua ambição num quadro de reeleição fácil em São Paulo. 2030 é já ali.

É este quadro de disputa intensa que requer uma candidatura à esquerda de Lula. Ao contrário do que o senso comum possa indicar, a fragmentação de candidaturas à esquerda potencializaria o voto de esquerda e diminuiria as chances de vitória do neofascismo. A esquerda está descrente do projeto de Lula, que é mais ou menos a continuação da política surgida do golpe de 2016. A política de juros muito altos, a legislação trabalhista de Temer e a consolidação do Brasil como fazenda do mundo com seus custos sociais e ambientais tem trazido o governo Lula 3 a um descrédito diante da esquerda, que pode levar a uma desmobilização eleitoral. Uma candidatura de esquerda dinamizaria esse campo político e, apesar do governo ser ruim, poderia ser uma alavancagem na votação antifascista. Mesmo sabendo que as políticas neoliberais são a pavimentação do descrédito do sistema e que só o neofascismo tem sabido capitalizar por ausência de projetos de esquerda, Lula não é neofascista e no segundo turno a responsabilidade política indica o voto nele.

Urge ativar uma agenda de esquerda na sociedade brasileira que dispute politicamente com o grande Capital a mente e alma da classe trabalhadora. As eleições de 2026 serão muito apertadas e o arcabouço fiscal pode derrotar Lula. Mas mesmo que ganhe, a herança política ancorada no neoliberalismo trará grandes desafios à esquerda e à classe trabalhadora no pós Lula, estando abertas as portas para o neofascismo governar de forma duradoura se não houver uma alternativa clara de esquerda a ebulir na sociedade brasileira.

 

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Carlos Lucas do Nascimento é Técníco em Jornalismo - bacharel em direito, formado pela UNEC(2019) , licenciado em Letras , Português , Inglês. Licenciado em Sociologia, Matemática, História, Ciências da Religião, Em conclusão ... Filosofia, Geografia ,História e Educação Especial. Formando em Pedagogia(Unica), Mestrando em Educação pela Funinber, Especialista em Coordenação, Supervisão e Direção Escolar, Especialização em Psicanalise Clínica e Neuropsicopedagogia . Fundador e Diretor Chefe do Jornal Três Estados, Jornal Diário Extremo Sul . Site ocapixabense.com.br . diarioextremosul.com.br e tresestados.com.br . Exerceu mandato de vereador em 2017 a 2020. Também é professor da Rede Pública Estadual de Minas Gerais

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