Um levantamento do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) revela um retrato preocupante da educação no Brasil: apenas cerca de 8% da população entre 15 e 64 anos atinge o nível considerado “proficiente” em alfabetismo, ou seja, consegue ler, interpretar e analisar textos mais complexos, comparar informações e resolver problemas que exigem maior compreensão.
Segundo a edição mais recente divulgada pelo Ação Educativa e pela consultoria Conhecimento Social, responsável pela coordenação técnica do estudo, cerca de 29% dos brasileiros são considerados analfabetos funcionais (níveis analfabeto ou rudimentar). Isso significa que conseguem, no máximo, identificar informações muito simples em textos curtos. Além disso, aproximadamente 68% da população está nos níveis elementar ou intermediário, o que indica que até conseguem ler frases ou pequenos textos, mas apresentam dificuldades para interpretar plenamente o conteúdo, fazer inferências ou compreender instruções mais detalhadas.

O Inaf avalia habilidades reais de leitura, escrita e matemática aplicadas ao cotidiano, não apenas anos de escolaridade. Os dados mostram que frequentar a escola não garante domínio pleno da leitura e da interpretação, evidenciando desafios estruturais na qualidade da educação brasileira. Especialistas apontam que o fortalecimento da alfabetização na idade certa, formação continuada de professores e estímulo à leitura desde a infância são medidas essenciais para mudar esse cenário.
Fonte:
Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) – Relatório Brasil 2018/2023


